sexta, 03 de setembro de 2010

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Pinturas de Marina Jardim em exposição em BH

Durante todo o mês de setembro interessados em conhecer o trabalho de Marina Jardim, poderão apreciar sua arte na Galeria de Artes do SESC/MG, em Belo Horizonte - MG (Rua Tupinambás, 956 - 1º andar, de segunda a sexta, das 12h30 às 18h30. Outras informações através do telefone do Sesc (31) 3279-1462.

Marina Jardim é natural de Rubim (baixo jequitinhonha), onde passou toda a infância. Em seu trabalho, um encontro com a alegria das cores e a força dos movimentos inspirada na cultura do Vale do Jequitinhonha.

SINGULAR E PLURAL
por Tião Rocha

A capacidade de criar e de expressar do ser humano confirma-se, cada vez mais, como infinita. Os limites do homem são os limites de sua própria humanidade.

As artes nos mostram como podemos estender, mais e mais, intensamente, os limites do possível. Ir ao encontro da Utopia, do não-feito ainda!

Se estas afirmações se aplicam para todos os campos das artes, o que se destaca como marca individual neste universo de possibilidades de criação, de leituras e re-leituras da vida, de interpretações e de expressões de nossos sonhos, crenças, valores, e devaneios?

- A individualidade da criação e a singularidade da obra de arte!, é a resposta.

Somente aprendendo e apreciando o singular de uma obra de arte, poderemos entender a pluralidade de nossa cultura, a diversidade de nossa gente e a infindável riqueza de recursos de nossa humanidade.

Marina Jardim é um exemplo de artista singular e plural.

Singular na forma e na técnica – arrojadas - de lançar cores fortes e muito rítmo em suas telas. Seus quadros tem a sua marca e sua identidade. Se reconhece de longe um Marina Jardim.

Plural porque expõe todas suas lembranças e experiências, vistas, vividas, aprendidas e armazenadas em nosso inconsciente coletivo, gerador de nossa mineirice e brasilidade.

FORMA E CONTEÚDO

Se olharmos com cuidado as cores fortes e misturadas, os traços firmes e a técnica apurada nas telas de Marina Jardim, podemos apreender a riqueza e a beleza de seu trabalho.

Se olharmos as mesmas telas por seus conteúdos marcados por histórias e imagens de infância, rítmos e danças populares, podemos aprender muito do dia-a-dia das pessoas que vivem no interior da cultura brasileira, percorrer pelas telas a vida presente no sertão das gerais. As marcas em Marina vieram de sua meninice lá prás bandas de Rubim, no Vale do Jequitinhonha.

Se nos deixarmos levar pelas pinturas e telas de Marina, se nos misturarmos às suas cores e rítmos, com certeza vamos nos sentir parte da festa do Rosário, cair nos batuques, rir dos palhaços nos circos, correr atrás dos bois Janeiro e cantar com as folias de reis.

Nela, arte e vida se retratam, se permitem, se possibilitam! E quando se fundem numa tela, nos tornam cúmplices e herdeiros.

Só os artistas conhecem o ponto do doce deste encontro do homem com sua humanidade. Marina cada dia mais se aprimora nessa arte de nos fazer singular e plural, forma e conteúdo, cor e rítmo, herdeiros e produtores de humanidade.

Nela, arte e vida se retratam, se permitem, se possibilitam! E quando se fundem numa tela, nos tornam cúmplices e herdeiros.

Só os artistas conhecem o ponto do doce deste encontro do homem com sua humanidade. Marina cada dia mais se aprimora nessa arte de nos fazer singular e plural, forma e conteúdo, cor e rítmo, herdeiros e produtores de humanidade.


Tião Rocha
Antropólogo
Educador Popular
Folclorista
Presidente do CPCD

Fonte:



Estrada de Ferro Bahia-Minas

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