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O incentivo da Coroa e o Povoamento
Com o declínio do comércio de açúcar no mercado europeu, na segunda metade do Século XVII, a Coroa portuguesa incentivou de maneira mais intensa a procura de pedras e metais preciosos no Brasil. Além das entradas, outras expedições, não financiadas pelo governo português, passaram a adentrar o território brasileiro. Essas expedições ficaram conhecidas como bandeiras e eram organizadas e financiadas por particulares de São Paulo. Essa busca levou os paulistas à descoberta das primeiras minas de ouro, na região do rio das Velhas, em terras dos atuais municípios de Sabará e Caeté. Os diamantes foram encontrados na região da comarca do Serro Frio, também no final do Século XVII.
Povoamento
Com a descoberta de ouro e diamantes, calcula-se que tenham chegado à região cerca de 30 a 50 mil aventureiros, vindos de Portugal e de todas as partes da colônia. A primeira fase da mineração caracterizou-se por uma extração horizontal. Em seguida, passou-se a extração nas encostas das montanhas, a céu aberto. Só depois a exploração passou a ser feita no alto das serras, em direção ao seu interior.
Num primeiro momento, os garimpeiros buscavam minerais e pedras preciosas nos leitos dos rios e seus afluentes. Nesse estágio de mineração horizontal, os agrupamentos humanos se multiplicavam e se distanciavam, gerando povoados, vilas e cidades. São exemplos: Minas Novas, Diamantina e Grão Mogol, emancipados em 1729, 1835 e 1840, respectivamente.
A mineração e o enorme deslocamento de pessoas fez necessário o surgimento de uma agricultura e pecuária voltada para a subsistência, o que diversificou as atividades econômicas na região. Já no final do Século XVI, a carne bovina era a base da alimentação nos centros mineradores. Nos escritos de Cezar Moreno em “A colonização e o Povoamento do Baixo Jequitinhonha no Século XIX”:
“Não foi fácil acomodar os contagiados pela vertigem do ouro, pois os fundos dos rios e ribeirões, nas areias e cascalhos das margens, nos vales cavados nas encostas das montanhas, brotavam o ouro e os diamantes, em fartura. Arraiais eram erguidos da noite para o dia, fazendo crescer a população na região da mineração, e, pela sua prosperidade econômica, foram sendo estabelecidos comércios dos mais variados tipos, como ranchos de tropas, vendas, armazéns de secos e molhados, e outros comércios indispensáveis ao manuseio do ouro e às construções urbanas”.
Novas Atividades
Transporte de diamantes. Protegidas por militares, caravanas percorriam as estradas das capitanias de São Paulo e Minas até o Rio de Janeiro, de onde pedras e metais preciosos eram levados para Portugal.
Fonte: Revista Nossa História - Dez/2003 Litografia de Rugendas
É possível separar o período entre 1733 e 1748 como o auge da produção aurífera e 1789 como o início da decadência dessa produção, que levou ao parcial despovoamento do Alto Jequitinhonha. Segundo Cézar Moreno: “A crise da mineração se originou da incapacidade de sustentação da oferta. A metrópole portuguesa não introduzia novas técnicas, nem mão-de-obra especializada, para mudar o comportamento dos proprietários. Essa situação deteriorou as relações entre o povo mineiro e a metrópole, pois essa aumentou e multiplicou taxas e impostos, criando uma grande insatisfação, motivando diversas revoltas nas minas como motins, sublevações de escravos e a Inconfidência Mineira”.
As elites locais, com o acúmulo de capitais, passaram a se dedicar à subsistência, diversificando a produção, combinando a pecuária, os engenhos de açúcar, a produção de farinha e de cereais e as manufaturas, numa relação econômica sem orientação para o mercado externo.
O período compreendido entre os Séculos XVIII e XIX foi marcado por uma diversidade econômica, com destaque para o setor agropecuário. O dinamismo econômico da região representava um forte atrativo para novas populações, contribuindo para formação de novos povoados, vilas e municípios. Na primeira metade do Século XIX a expansão associou-se à consolidação de núcleos garimpeiros. Porém, com a diminuição da produção de ouro e diamante (forte concorrência da África do Sul), a procura por novas áreas e atividades aumentou. Isso levou a uma interiorização para centros de menor expressão.
Já na segunda metade do Século XIX, Diamantina tornou-se um dos centros mais ativos do comércio e da indústria em Minas Gerais, sendo a indústria têxtil, o ramo de maior destaque. O crescimento da região foi favorecido pelo isolamento e distância dos centros de concorrência externa.
Nesse momento, o resultado da mineração já era irreversível. A ânsia pelo enriquecimento fácil fez com que os exploradores não prestassem atenção ao uso futuro da terra. Para a retirada dos metais preciosos, utilizaram-se de todos os meios possíveis, até mesmo de queimadas e do assoreamento de rios.
A urbanização
A Capitania das Minas Gerais foi criada em 1720, ao ser separada da Capitania de São Paulo. Era dividida em quatro Comarcas: a Comarca do rio das Mortes, cuja sede era a Vila de São João Del Rei; a Comarca de Vila Rica, com a sede de mesmo nome, também a capital da Capitania e residência oficial de seu governo; a Comarca de Sabará cuja sede era a Vila Real do Sabará; e a Comarca do Serro Frio, com sede em Vila do Príncipe.
Minas Gerais foi um dos primeiros estados a se urbanizar. Os fortes ou postos instalados ao longo dos rios deram origem a um grande número de cidades. Os núcleos de mineração também foram importantes pontos para a formação de vilas e povoados.
A rede urbana no Vale do Jequitinhonha constituiu-se a partir de três localidades mais proeminentes: Serro, Diamantina e Minas Novas.
Serro
Por volta de 1701, um grupo de exploradores chefiados pelo paulista Antônio Soares Ferreira descobriu as minas de ouro de Ivituruí. Esse significava “montanhas frias” na língua dos índios da região. A localidade foi rebatizada posteriormente com o nome de Serro Frio.
No início do Século XVIII, os trabalhos de mineração se desenvolviam de forma desordenada, com choques constantes entre aventureiros e mineradores já estabelecidos. Os fatos levaram à criação do cargo de Superintendente das Minas de Ouro, em 1711, para o qual foi nomeado o sargento-mor Lourenço Carlos Mascarenhas. O objetivo do novo cargo era manter a ordem e a justiça.
Diamantina
Inicialmente, o arraial do Tijuco, fundado em 1713, pertencia à Comarca do Serro Frio. Em 1831 tornou-se Vila de Diamantina e em 1835 foi elevado à categoria de cidade. O acervo arquitetônico compõe, junto com as montanhas, uma das regiões mais belas de Minas Gerais. Em 1938 o núcleo urbano foi tombado pelo Patrimônio Nacional.
Minas Novas
Com o povoamento iniciado pelos paulistas em 1727, após descoberta de ouro e diamantes no córrego Bonsucesso, foi criado, em 1729, o Município de Minas Novas. Nessa época, o poder administrativo e militar ficava a cargo da Comarca do Serro Frio. Nas primeiras décadas do Século XIX, Minas Novas ficou conhecida por um forte crescimento na produção de algodão.
Fonte: CD-ROM da UFMG sobre o Vale do Jequitinhonha A Colonização e o Povoamento do Baixo Jequitinhonha no Século XIX – A “Guerra Justa” Contra os Índios – César Moreno (Canoa das Letras) O Vale e a Vida – História do Jequitinhonha – Maria Nelly Lages Jardim. Igor Moreira, O Espaço Geográfico, Editora Ática, 1998
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