quinta, 09 de setembro de 2010

Portal Onhas.com : Lendas

Lendas no Vale do Jequitinhonha

A LENDA DO BICHO DA CARNEIRA (Pedra Azul)

Depois de se estabelecer no lugarejo, hoje Pedra Azul, Quintiliano Antunes de Oliveira, trouxe da região de Gurutuba/BA, o primo e cunhado, Joaquim Antunes de Oliveira. Rapaz alto, loiro, de olhos claros, muito esperto, letrado e trabalhador. Como gente assim era muito difícil em tais épocas e lugares, não é difícil deduzir que o lado feminino de caatingas se interessasse pelo talento e dotes do novo morador. O bom atendimento, no entanto, foi recíproco. O povo conta que Joaquim não perdia tempo: namorava sem perder um só noite. As moças já sabiam: era só deixar a janela encostada e o visitante romântico aparecia, cauteloso, saciar a vontade das jovens sertanejas.
Tocava violão, cantava e contava histórias do além-mar, de beira-rio, de boas fadas e fados diversos... pois eram assim: aqui e ali, corações matreiros descobriam cantos e contos, que aos poucos, iam compondo sinfonia nos arredores. Assim, as montarias de Joaquim foram ficando famosas. Até que um dia ele resolveu casar-se. Casou a primeira vez, a segunda e a terceira vez. Trabalhou duro e transmitiu para os filhos e descendentes, lições da arte do comércio, da transformação e uso de matérias primas diversas. Povoou de maneira clássica e refinada, espalhando progresso e cultura, no norte e nordeste de Minas Gerais. O homem era um bicho!! Aliás, é!! Pois o tempo e a prole de sua descendência perpetuarão seu trabalho, seu sangue é a própria evolução do infinito.

Bom, mas o povo conta que Joaquim, depois de uma certa idade foi colhido por uma paralisia, que o manteve na cama durante os seus últimos dias. Sem poder locomover-se, ele se dedicou à leitura e passou a comandar, de maneira menos ativa, os afazeres diários. Era hora de descansar um pouco. Segundo o povo, um bom Antunes tem que ser teimoso e pirracento. Daí, o espírito de criador espontâneo e inovador persistente da nossa gente.

Naquele tempo o cemitério de Fortaleza de Minas(nome antigo de Pedra Azul), ficava situado no pé da pedra da Montanha, na entrada da Rua dos Sete Pecados(Meninas de vida fácil), hoje Rua Sete de Setembro. Joaquim morreu e foi enterrado lá. numa sepultura que, antigamente, recebia a denominação de CARNEIRO, ou CARNEIRA, no popular.

Tempo passou; cinqüenta anos mais tarde, os Almeidas acharam melhor construir um novo cemitério o antigo, além de pouco espaço, apresentava rachaduras nas sepulturas, causadas pela erosão. E assim foi feito. Tão logo a obra se consumou, o trabalho do translado dos restos mortais foi efetivado. Um coveiro fazia o trabalho de abertura dos túmulos e o carro de bois levava os caixões para o novo cemitério. Aí, chegou a vez de a Carneira onde jazia o Joaquim. Tamanho foi o susto do coveiro ao constatar que o caixão pesava mais que os outros e estava intacto!!! A curiosidade subiu à cabeça dele, que inventou abrir o caixão. Foi um assombro!!! O corpo do Joaquim estava do mesmo jeito que foi enterrado: em perfeito estado de conservação. Parecia que nem o tempo havia passado ali. Isto bastou para que o coveiro largasse tudo e ganhasse a capoeira.

Naquela noite a chuva se fez derramar em córregos pela vila. No dia seguinte, como acontecia em noite de grandes enxurradas, alguns animais mortos pela água, amanheceram na lama, que se empoçava na frente do cemitério. Do outro lado do muro, os túmulos e os caixões abandonados, nadavam entre arbustos e carneiros esbarrancados. As famílias trataram de dar continuidade ao trabalho de remoção, mas para os Antunes um fato novo iria folclorizar os seus caminhos; estava criada a lenda do Bicho da Carneira, a mais famosa assombração do Vale do Jequitinhonha e uma das mais conhecidas no Brasil, como "Bicho da Fortaleza", pois será este o nome de Pedra Azul-MG.

Daí pra frente, muitos animais que apreciam mortos, ou comidos era atribuídos tais feitos ao Bicho da Carneira. Este se tornou encantado, passando a tomar formas diversas como: Cachorro, Porco, Bicho Cabeludo arrastador de correntes, Mula sem cabeça com uma estrela na testa e, até a forma de moita e de Bode lhe foi atribuída. Há quem diga que um homem alto, forte, de olhos claros e bem vestido chega a um restaurante, come à vontade, bebe só coisa fina, e manda botar na conta dos parentes vivos. Os garçons o fazem sem pestanejar.... e há quem afirme que algum parente já pagou um conta desta.... Deve ter sido o Livinho, ou o Leopoldo, ou o Vavá, ou Inácio, ou....

Há ainda pessoas que dizem, que o nome do Bicho da Carneira foi atribuído ao Joaquim, pelo fato do mesmo ter botado uma cela na mãe dele, e tê-la espancado ao ponto de deixar a velha quase morta.
Mas dizem que um dia Pedra Azul vai virar um lagoão, vai inundar tudo.... vai morrer todo mundo!! Só vai sobrar os parentes do bicho, porque vão se transformar em jacarés para nadar na lagoa....

Lendas de Diamantina

ACAIACA

Lenda indígena escrita por Joaquim Felício dos Santos, baseado na data da oficialização da descoberta do diamante no Arraial do Tijuco, em 1729, mas publicada de 1862 a 1863 em 43 edições do jornal "O Jequitinhonha".

Onde é hoje o largo Dom João existia uma árvore de cedro que os indígenas chamavam de Acaiaca, razão de ser da tribo que a veneravam como entidade especial. Os portugueses compreendiam que só com a destruição da árvore sagrada poderiam expulsar os indígenas. Desta forma, conseguiram derrubá-la durante uma cerimônia indígena fora da aldeia. Ao encontrarem a Acaiaca caída, os indígenas entraram em luta e se extinguiram.

Uma tempestade tenebrosa de raios fez carbonizar a Acaiaca. As águas das enchentes levaram para os leitos dos córregos as cinzas e os carvões da árvore sagrada que se transformara em diamantes. A etnia portuguesa torna-se amaldiçoada pelo imenso sacrifício imposto.

GAMELEIRA DO ROSÁRIO

Contam que havia em Diamantina um rapaz estimado e de uma tradicional família, que na ocasião em que construíram o cruzeiro, sendo ele carpinteiro, foi grande colaborador.

Encarregou-se de fazer martírios para serem colocados na cruz. Porém, antes de terminar foi caluniado por um ato infame, resultando assim a sua morte, depois de suportar torturas.

Dizem que antes de morrer com lágrimas nos olhos, pediu a Deus que se fosse inocente naquele cruzeiro, algum dia, deveria nascer uma árvore.

Passando algum tempo, um pássaro levou uma semente de gameleira, que brotou no pé da cruz. Por isso a memória do operário Júlio Fonseca é reverenciada até hoje, pois a gameleira cresceu, envolveu o cruzeiro e o levou para o alto, ao nível do frontão da igreja do rosário.

A mítica sobre esta árvore torna-se mais curiosa em face da coincidência de ser a gameleira muito ligada a mitologia africana a ser a igreja do rosário de devoção dos negros.



Estrada de Ferro Bahia-Minas

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