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Manifestações folclóricas no Vale do Jequitinhonha
O Brasil é um país dono de um folclore muito rico. Neste país cheio de riquezas culturais temos danças, festas, comidas, obras de arte, superstições, comemorações e representações. No Sul e Sudeste brasileiros as manifestações folclóricas contêm menor força, devida crescente industrialização das cidades. Enquanto no Norte, Nordeste e Centro-Oeste do país as tradições ainda se conservam intensamente.
O Vale do Jequitinhonha embora esteja situado no Sudeste do país é ainda uma região caracterizada por expressões culturais muito intensas.
Bumba-meu-boi
O Bumba meu Boi originou-se nas últimas décadas do século XVIII no litoral nordestino, quando era representado por escravos e agregados de fazendas e engenhos.
Com o tempo difundiu-se para o interior do país levando a mistura cultural dos brancos, por meio do enredo da festa e dos negros, que acrescentaram elementos rítmicos e dos índios, que emprestaram suas danças. O bumba-meu-boi possui uma significação estética e social do Brasil e foi evoluindo no tempo, mas mantendo sua representação tradicional.
Bumba-meu-boi de Capelinha

O bumba-meu-boi foi trazido a Capelinha, de acordo com o registro da Casa da Cultura, em 1981 por um cearense chamado Antônio Luiz. Chico Ferreiro, com o apoio de João Barbeiro, iniciou uma charanga composta por cinco pessoas. Em 1989 o grupo chegou a ter dez integrantes.
O bumba-meu-boi em Capelinha mantém a sobrevivência e interação entre comunidades. Simboliza o ressurgimento da cultura popular ao transportar para as atuais gerações as tradições culturais do Brasil.
Boi-de-Janeiro de Pedra Azul
Em todo mês de Janeiro ocorre em Pedra Azul uma tradição de mais de 50 anos. O Boi-de-Janeiro é uma homenagem aos "Santos Reis", que faz parte da Festa do Reinado. O boi percorre as ruas, praças e casas da cidade acompanhado pelos Reseiros, que definem o ritmo. A música é tipicamente Afro, com sanfona, pandeiro, triângulo, caixa, bumbo e gaitas.
Uma atração marcante na festa é a presença da boneca gigante Maria Tereza. A boneca sai no dia seis de janeiro, último dia de festa, e provoca brigas admiráveis entre os bois. Somente um grupo leva a boneca que fica sob seu domínio até o próximo ano.
Festa da Santa Cruz (Ver também Festas Regionais/Festa da Santa Cruz em Serro )
A festa da Santa Cruz é de herança portuguesa presente em todo o País. No Vale do Jequitinhonha a festa se faz presente em alguns municípios. A festa faz alusão à primeira missa no Brasil, celebrada pelo frei Henrique de Coimbra - uma das primeiras providências tomadas pelos descobridores da nova terra. Além da proteção divina, tinham como objetivo consolidar a fundação e delimitar o espaço físico de um novo povoado. Serviam de altar para novenários e como locais para celebrações variadas, além de serem garantia de proteção contra seres fantásticos como bruxas e lobisomens.
Festa do Divino (Ver também Festas Regionais/Festa do Divino em Turmalina)
De origem portuguesa e com características diferenciadas em cada região do Brasil, a Festa do Divino também acontece no Vale do Jequitinhonha. A festa popular propriamente dita ocorre durante três dias havendo cortejo imperial, missa festiva, novenas, procissões, quermesses, bailes, apresentações folclóricas e queima de fogos.
Festa do Rosário
A festa do rosário é uma das mais importantes manifestações religiosas e populares da nossa cultura. Realizada anualmente em diversas cidades do país, é patrimônio imaterial brasileiro.
A festa do Rosário mistura religião e folclore. Acontecendo tradicionalmente na região de Minas Gerais, desde o século XVIII, sua origem histórica fala sobre a vitória dos cristãos portugueses sobre os muçulmanos na Batalha de Lepanto. Esta história atribuí não apenas à estratégia militar, mas também e principalmente à proteção da Virgem do Rosário.
Os escravos também têm crença pela santa, consagrada sua padroeira. Apreciada pelos negros no século XVIII tem um sentido profano e religioso, apresentando ao lado das missas e procissões um conjunto de danças e música.
Origem histórica da festa do Rosário
No dia 7 de outubro de 1571, o Papa São Pio V estava trabalhando com alguns de seus auxiliares, quando, levantou-se e disse, em momento de contemplação: "É tempo agora de agradecer a Deus: a nossa esquadra acaba de vencer os muçulmanos". Alguns dias mais tarde, o fato é consumado, conforme pressentira o Papa. Uma vitória humanamente impossível, porém alcançada não pela força das armas, mas pela estratégia dos comandantes e assistência de Nossa Senhora do Rosário. O mesmo Papa dirigiu ardente exortação a todas as confrarias e associações, como aos fiéis em geral, para que rezassem o terço nessa intenção, ou seja, pela vitória dos cristãos. O Santo Pontífice quis que se perpetuasse na Igreja a memória da Batalha de Lepanto, em que o Islão foi completamente vencido pelos cristãos, protegidos pela Virgem do Rosário. Foi estabelecida a festa litúrgica de Nossa Senhora do Rosário a 7 de outubro de cada ano, por determinação do Papa Gregório XIII para determinadas Igrejas, mas, o Papa Clemente XI estendeu-a ao mundo católico em geral, em ação de graças por um novo triunfo alcançado por Carlos VI da Hungria sobre os turcos, em 1716. Tendo a Península Ibérica, da qual Portugal faz parte, sido dominada por invasores mouros/africanos, perpetuou-se no espírito dos colonizados brasileiros, quer por parte dos escravos, quer por parte dos portugueses, a idéia de render culto à mãe de Deus, sobre o título de Nossa Senhora do Rosário. E não tardou que a religiosidade popular Serrana, transformasse os fatos históricos em lenda.
A lenda de Nossa Senhora do Rosário
Diz uma lenda histórica que em certa época Nossa Senhora do Rosário apareceu sob as águas do mar. Imediatamente, os Caboclos, já devotos da Santa Virgem através de catequese dos Jesuítas, rezaram, dançaram, cantaram, tocaram seus instrumentos, para que a Santa Virgem viesse até eles. Mas Ela não veio. Em seguida, os Marujos, também devotos, foram até a praia e empreenderam sua tentativa de trazer a Virgem do Rosário até eles. Após rezarem, dançarem, cantarem, tocarem seus instrumentos, não conseguiram trazê-la. Por último, vieram os Negros ou Catopês até a praia e após louvarem a Virgem do Rosário, Ela veio até eles. Por isto é que se diz que a Virgem de N. Sª do Rosário é a protetora dos negros. Em razão disto, é que todos os anos, nas cidade do Serro, Turmalina, dentre outras, os dançantes são orientados a representar tal lenda.
Ver também Festas Regionais/Festa do Rosário em Serro Ver também Festas Regionais/Festa do Rosário em Turmalina
Folia de Reis
Folclore. Folia de Reis. Cotia. São Paulo. Brasil. Código : BR0221
A folia de reis comemora a visita dos Magos do Oriente ao presépio de Belém. Com a bandeira alusiva e o menino Jesus levado em pequeno cesto cheio de flores e enfeites de papel, os Reisados saem às ruas desde o princípio de dezembro. Primeiro anunciam a chegada de Jesus, depois cantam e dançam a alegria do Natal e depois encerram os festejos evocando a vinda de Gaspar, Belquior e Baltazar, que levaram incenso, ouro e mirra à sagrada família.
Com a sanfona, violão, tambor e pandeiro os músicos formam o coro e os cantadores desfiam uma série de velhas cantigas da idade média em Portugal e ao Brasil colônia. Falam do nascimento de Jesus, da lapa de Belém e da visita dos Reis Magos. Depois pedem obséquio ao dono da residência visitada. A tradição leva o grupo de casa em casa nas vilas, cidades e fazendas.
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