quinta, 09 de setembro de 2010

Portal Onhas.com : Festas

Festas Populares e Religiosas

As festas populares e religiosas confirmam a cultura e a tradição da população comprovada nas cerimônias, festivais e rituais religiosos. Essas celebrações reafirmam vínculos sociais ao aproximar as pessoas e resgatar suas procedências.

Ainda que possuam enfoques diferenciados, apresentam similitude nas exposições de canto, dança, música e, principalmente no espírito de troca e fortificação de suas raízes. Estas manifestações explanam a cultura popular, a linguagem do povo, tudo que vem da essência de suas origens.

Boi-de-Janeiro de Pedra Azul

Em todo mês de Janeiro ocorre em Pedra Azul uma tradição de mais de 50 anos. O Boi-de-Janeiro é uma homenagem aos "Santos Reis", que faz parte da Festa do Reinado. O boi percorre as ruas, praças e casas da cidade acompanhado pelos Reseiros, que definem o ritmo. A música é tipicamente Afro, com sanfona, pandeiro, triângulo, caixa, bumbo e gaitas.

Uma atração marcante na festa é a presença da boneca gigante Maria Tereza. A boneca sai no dia seis de janeiro, último dia de festa, e provoca brigas admiráveis entre os bois. Somente um grupo leva a boneca que fica sob seu domínio até o próximo ano.

Festa da Santa Cruz em Serro

No início de maio integrantes da Nossa Senhora do Rosário e da Associação dos Congados promovem a festa da Santa Cruz. Acontece a missa na Igreja de Santa Rita, seguida de procissão da Bandeira até a Igreja do Rosário, havendo ainda o levantamento de mastro e um jantar para os dançantes.

No dia seguinte há assembléias da irmandade e encontro dos dançantes (marujo), caboclos, catopês-serro, catopês-milho verde, caboclos mirins e dança de boi.

Festa do Divino em Turmalina

A Festa do Divino Espírito Santo de Turmalina é a maior manifestação cultural e religiosa da cidade. Assistida pelos irmãos do Santíssimo Sacramento no passado. Hoje a festa vem sendo realizada pela comunidade turmalinense, coordenada por um casal de festeiro, que une forças com a paróquia local. Paralelamente á Festa do Divino é comemorado o dia do turmalinense ausente. Nos três dias de festa, inúmeros turmalinenses vindos de várias partes aproveitam para participar dos dois eventos, rever parentes e amigos, matar a saudade e dividir com todos a grande presença do Espírito Santo.

Festa do Rosário em Turmalina

A festa do Rosário ocorre todos os anos na segunda semana do mês de outubro. A festa tem o apoio da comunidade turmalinense com a participação dos moradores do bairro do Rosário e a ajuda do poder público.

Os antigos moradores da cidade contam que a festa do rosário foi implantada pelos portugueses nas confrarias das cidades e freguesias. Da mesma forma, a festa foi levada à cidade de Turmalina, que ainda se chamava arraial da Piedade. Com a queda da primeira igreja do arraial deixou de ser realizada a festa do Rosário, voltando suas manifestações somente em 1929 quando foi erguida a segunda capela em nome de Nossa Senhora do Rosário.

Festa do Rosário no Serro

A festa do Rosário da cidade do Serro mistura religião e folclore. Realizada anualmente desde 1724 é uma das festas mais importante da cidade. Fundada pelos negros no século XVIII tem um sentido profano e religioso, apresentando ao lado das missas e procissões um conjunto de danças e música.

A festa é promovida anualmente pela irmandade do Rosário no final de junho e início de julho. Na festa são cumpridas fases para homenagear à santa. Inclui a Novena, a Caixa de Assovios, a solenidade do Mastro, a queima de fogos, a busca do Rei e da Rainha da Festa, a Passagem do Cetro, a Missa, entre outras, seguidas pelos grupos de dança caboclos, marujos e catopês.

Os caboclos representam os índios que ao som de caixas de couro e sanfona reverenciam a Virgem com alegria. São a persistência do indígena que não se deixou dominar. Enfeitam-se com coletes coloridos, adornados de lantejoulas; usam cocares de penas coloridas, enfeitadas com fitas, perneiras com penas, pulseiras e brincos. Trazem consigo uma flecha de madeira para o ritmo da festa.

Os Marujos representam o branco, a Esquadra Portuguesa na luta contra os Mouros. Vestem-se como marinheiros. Cantam ao som de instrumentos de corda, cavaquinhos e violões, de pandeiros, xiquexiques, flautas e caixas de couro. Seus passos são cadenciados e sugerem um movimentado combate.

Os Catopês representam os negros e com o toque das caixas de couro revivem os gemidos nas senzalas. Levam tamborins, caixas de couro, xiquexiques e reco-recos. Suas roupas são capas de chita estampada, enfeitam-se com espelhos, lenços, usam capacetes enfeitados com penas. São os responsáveis por encaminhar a bandeira ao mastro, tirar do trono os festeiros, tirar Nossa Senhora do altar e devolvê-la.

O primeiro dia da Festa ocorre no sábado. O Congado-Rei e Rainha, Juízes e Juízas e os grupos de dança (Catopês, Marujos e Caboclos) saem às ruas para louvar a Nossa Senhora. Às cinco horas da manhã, a Matina inaugura a festa, no adro da Igreja do Rosário, com a permissão de Nossa Senhora. O pedido de benção vem da Caixa de Assovios. À noite, o Mastro é acompanhado pelo ritmo e cores dos grupos de dança, e a bandeira de Nossa Senhora é trazida até a Igreja pelo Mordomo do Mastro.

No Domingo, às seis horas da manhã, os Catopês convidam os festeiros para a formação do reinado. O ritual começa na casa dos primeiros Juiz e Juíza, segundos Juiz e Juíza e invadindo a casa do Rei, com o encontro entre Catopês, Caboclos e Marujos para buscar a Rainha, que seguem rumo à Igreja do Rosário. A coroação de Nossa Senhora e a apresentação da lenda, seguida da procissão, encerra o dia.

A posse do reinado para o ano seguinte ocorre na segunda-feira, ao meio-dia. Repete-se o ritual de retirada dos festeiros, que seguem para a Igreja do Rosário, despedem-se da festa e retornam às suas casas em companhia dos dançantes do Rosário.

Jubileu das Almas

O pequeno povoado Cemitério do Peixe, em Conceição do Mato Dentro, no Alto Jequitinhonha, se assemelha a muitos distritos centenários espalhados pelo interior. É caracterizada pela arquitetura colonial.

No centro do arraial, um cemitério servia de repouso para os habitantes e dá nome a pequena vila. O lugarejo só difere de outros por ser praticamente um arraial fantasma. A pequena só ganha vida quando centenas de romeiros superlotam o lugarejo. É o Jubileu das Almas, que se confunde com a própria origem do distrito.

Em 1729 crescia a exploração de diamante em Diamantina. O governo da época fazia de tudo para evitar o contrabando das pedras. Um pelotão do Quartel de Diamantina foi deslocado para as margens do rio Paraúna, onde fundaram o quartel do Peixe. A localização era estratégica, pois ficava no meio do caminho de quem sai de Diamantina para o Rio de Janeiro.

Em seus postos no novo quartel,,os soldados eram obrigados a sobreviver com o que a natureza os oferecia. Como o rio era rico em cardumes, se alimentavam dos peixes do Paraúna. Porém, sem tecnologia para conservar alimentos acabavam morrendo vítimas de comida deteriorada. Os corpos eram enterrados por ali mesmo.

Anos mais tarde, o fazendeiro Antônio Francisco Pinto, conhecido por Canequinho, proprietário da fazenda Vassalo, localizada perto do Quartel do Peixe, resolveu doar três alqueires de sua propriedade rural para a igreja. Muito católico o fazendeiro pediu que em troca , naquela área fosse construído um cemitério para onde seriam transferidos os restos mortais dos soldados do Quartel do Peixe. Nascia, então, o distrito de Cemitério do Peixe e a tradição de celebrar a Missa das Almas, data comemorada pela igreja. Há oitenta anos, a missa se transformou em jubileu e movimenta o distrito que chega a receber até cinco mil fiéis nos três dias de festa.

Fonte: http://valedojequi.lithiuminformatica.com.br
Por Aline Machado Cruz



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